segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O MUSGO

Este fim-de-semana já sei que os meus sobrinhos me vão lembrar:
“- Temos que ir ao musgo!”
Pretexto para um passeio na floresta, como eles dizem. Uma forma hiperbólica de designar uma bouça, uma mata, um bosque, um pequeno pinhal, onde devia haver lobos, monstros e um Capuchinho Vermelho com 7 anões. Mas não, nós só vamos buscar musgo.
É que um tapete de musgo, apesar de não ser essencial, é uma peça importante na preparação do Natal. É o mesmo que dizer:
“- Temos que preparar o Natal! Temos que fazer o presépio, a árvore de Natal, comprar as prendas, decorar a casa, escrever a carta ao Menino Jesus, ….” Que nós portámo-nos sempre bem ao longo do ano…
O musgo é a primeira coisa, no início de Dezembro, porque será o chão, a base de toda a cena que recriaremos a seguir: os montes e vales que Maria e José percorreram até encontrarem a gruta onde o Menino vai nascer.
É uma espécie de berço verde, mais macio e fresco que as palhas da mangedoura, que estenderemos sobre umas caixas de papelão a fazer de colinas. O mais bonito e fofo mais perto da gruta. E um rio de papel de alumínio que vai ter a um lago com patos onde uma lavadeira vai lavar as fraldas do Bebé.
Colocar musgo. Acolchoar o chão, tornar macio o caminho que Deus há-de pisar. Talvez seja um bom propósito para este mês: tornar macio o caminho que aqueles que estão ao nosso lado têm de percorrer.
Um pouco mais de serenidade, de calma nas compras, de atenção ao modo de servir. Chegar a água, o pão, uma cadeira, ceder a vez, não buzinar, enviar um SMS, pôr o telemóvel no silêncio. Baixar o tom de voz resulta para adormecer uma criança e dominar os nervos. Sem stress. “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos” – disse a rosa de Saint-Exupéry. Coisas pequenas. Uma oração. Um sorriso. Algo que torne a vida mais agradável, que problemas e crises já ela tem que chegue. ..
Pouco a pouco, com cuidado, como quem pousa pedacinhos de musgo num presépio.
 3/12/2009

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