segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ILUMINAÇÕES DE CRISE

É o que temos.
Foram inauguradas na 6ª feira.
Umas cortinas na R. de Sto António, uns globos na R. Adriano, flocos de neve na torre da Câmara. Salva – não sei se salva – a honra do convento a grande estrela do Bernardino, uma espécie de bolo de noiva travestido de árvore de Natal na Rotunda da Água e as luzinhas dos plátanos da Avenida 25 de Abril.
Alguém apresentou reclamação contra os anjos do ano passado? A ínfima minoria étnica muçulmana presente em Famalicão não deve ter sido, pois parece que cada um possui não um, mas dois arcanjos da guarda, um à direita e outro à esquerda, que é suposto cumprimentarem todos os dias.
Não me estou a lembrar de outras minorias ou maiorias que se pudessem ofender com outros símbolos mais a propósito de uma festa claramente cristã como é o Natal. Que mal é que faz um Presépio? Será que o Menino Jesus se portou mal?
Crise económica ou crise de identidade?
Estranho em instituições como a Câmara Municipal ou a Associação Comercial que lá terão os seus critérios de escolha dos motivos para iluminar as nossas ruas, mas será que pretendem aproveitar as mesmas luzes para a próxima Feira Grande?

Sei que em algumas cidades emblemáticas da Europa e dos Estados Unidos não estão a ser permitidos os Presépios na praça pública e até se procura substituir a palavra Christmas (Natal) por um sucedâneo que não contenha a referência etimológica de Cristo (Christ). Assim como nas escolas francesas se quis impedir às muçulmanas usar o véu, assim se apagam referências às raízes cristãs remetendo-as para o fundo das sacristias, para o foro familiar ou individual. Assim se apagavam nas ditaduras dos dois lados do espectro político as memórias históricas que não interessavam ao regime.

Sim. Já vi essas personalidades públicas e institucionais atrás do pálio, de opa vestida e mesmo na lista do Lausperene. Por isso, estranho que à hora de escolher para a Cidade uma decoração de um evento como o festejo do Nascimento de Cristo, num país que também se diz quase totalmente cristão, pareça que há vergonha ou medo de o assumir.
Talvez me engane. Talvez seja simples falta de gosto.

29/11/2008

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