Pela segunda vez este ano, David Chadwell esteve em Portugal para proferir uma conferência sobre Educação Diferenciada. Desta vez, teve lugar em Lisboa, no passado dia 8 de Setembro, no auditório A1 da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, subordinada ao tema “The single sex education at public schools”. Professor de Social Studies e coordenador do Departamento de Educação do Estado de Carolina do Sul – EUA, é também o responsável pelo Programa para o desenvolvimento da Educação Diferenciada em escolas públicas. Publicou inúmeros artigos em revistas da especialidade e é autor do livro “Single gender classes can respond to the needs of boys and girls”.
De facto, desde os anos 90, os relatórios PISA evidenciam um fenómeno de desigualdade verdadeiramente preocupante: em todos os países, os gráficos mostram que os rapazes obtêm resultados inferiores aos das raparigas, nomeadamente em leitura e escrita, base da aprendizagem, e apresentam maiores índices de abandono e insucesso.
Por esta razão, países como a Alemanha, a Bélgica e os EUA, entre outros, decidiram promover a Educação Diferenciada por género no ensino público como ferramenta pedagógica. Assim, nos EUA, desde 2006, cerca de 500 escolas estatais introduziram este tipo de organização, quer separando os sexos por edifícios, quer por turmas ou apenas por disciplinas. Não foram apenas os resultados académicos que melhoraram, mas também a sua equiparação no que respeita ao género, em Letras e Ciências, a auto-estima, a participação e colaboração dos alunos e alunas, a vontade de superar o secundário.
O género conta numa sala de aula, seja ela coeducativa seja diferenciada. Mas não basta separar. É necessário e possível ter em conta e potenciar a nível pedagógico as especificidades de cada grupo, realçou Chadwell na entrevista concedida ao jornal Público. Rapazes e raparigas, tendencialmente, manifestam características e desenvolvimentos diferentes. Particularmente, durante a infância e adolescência, as raparigas costumam ser mais precoces, amadurecer mais cedo, sensivelmente 2 anos antes dos seus colegas. Daí a situação de desvantagem em que os rapazes se encontram durante o seu percurso no Ensino Básico e Secundário.Para além disso, eles necessitam “structure, structure, structure”, elas “connection, connection, connection”, reforçou David Chadwell. Isto é: eles respondem melhor a regras bem definidas, objectivos claros, metas e desafios concretos, a um professor com autoridade; elas, necessitam as relações com colegas, amigos, professores, respondem a uma voz mais suave, ao contacto visual, às emoções.
É de realçar que a introdução, em 2006, da oferta de Educação Diferenciada nas escolas públicas americanas foi possibilitada pelas propostas dos então senadores Hillary Clinton – também ela ex- aluna de colégios femininos - e Kay B. Hutchison baseando –se em algumas cláusulas do No Child Left Behind Act de 2001, documento que configura as estratégias de incentivo à inclusão e combate do insucesso escolar.
Mas para conseguir esse objectivo não seria mais conveniente a socialização entre géneros de um ambiente coeducativo? “ – Para isso existem os telemóveis! A escola é para aprender.”