terça-feira, 7 de junho de 2011

DRAGÕES E BIOGRAFIAS

“- Vai ser desta que vou ler uma biografia de S. Josemaria!”

Esta reacção à boca do filme “Encontrarás dragões”, estreado no passado dia 19 de Maio e que ainda se encontra em alguns cinemas, não deixa de ser um óptimo resultado.

Embora quase todos se baseiem em algum livro, não são muitos os filmes que motivem a leitura. Antes pelo contrário. Até podem ser uma boa maneira de evitar esse exercício. Daí que semelhante decisão pareça altamente significativa. Foi suscitada a curiosidade sobre o percurso de vida do personagem real de quem se pode saber o resto, mais pormenores, o que é que afinal era verdadeiro e o que era ficção ou interpretação pessoal do realizador.

“Encontrarás dragões” é um filme complexo, com muitas histórias intrincadas, com significados e mensagens que se entrecruzam, que anunciam, mas não dizem tudo. Confuso, por vezes. Exige ser visto uma segunda vez. Talvez quando aparecer o DVD.

Mas, entretanto, uma biografia é uma boa ideia. Uma biografia é sempre uma boa ideia, diria eu. Todas as vidas são diferentes, é certo; mas, se formos a ver, também são demasiado paralelas para não haver pontos em comum com que possamos aprender ou tomar como modelo. Acompanhar as peripécias e aventuras de alguém, poder perceber como actuou, porque tomou determinadas decisões, como lutou contra os seus defeitos ou limitações, como enfrentou as adversidades que todos encontramos, como sonhou ou tirou partido das circunstâncias que lhe tocou viver, como se construiu aquela personalidade… São tudo pistas que ajudam a conhecer-me a mim próprio, que me mostram outros caminhos, outras formas de agir, de aproveitar os momentos da vida para algo melhor.

Queixam-se alguns professores de História que as pessoas, os heróis, os decisores desapareceram dos manuais e dos programas, em favor das circunstâncias e condições económicas, culturais e políticas, como se os acontecimentos fossem apenas o resultado inexorável de um trágico Destino, de si aleatório e cego, ao qual nos tivéssemos de submeter. As histórias de vida de um fundador, de um líder, de um cientista, de um artista ou de um santo afirmam-nos exactamente o contrário: que as grandes obras, as reviravoltas da História, as crises e a superação das mesmas se dão e provocam com o exercício da liberdade pessoal de cada um desses sujeitos. Dessas pessoas que eu posso imitar. Com as minhas decisões e acções livres também. “Estas crises mundiais são crises de santos” – disse S. Josemaria em Caminho, o seu livro mais conhecido.

Pois bem, neste mês, marcado por eleições em contexto de crise e pelas festas dos santos populares - entre eles, a de S. Josemaria no dia 26 - deixo aqui a sugestão de leitura de uma das edições em português, disponíveis numa livraria ou biblioteca perto de si:

Hugo de Azevedo. Uma luz no mundo: vida do Servo de Deus Monsenhor Josemaría Escrivá de Balaguer, Lisboa, Prumo; Rei dos Livros, 1988, 403 p.

Ana Sastre Gallego. Tempo de caminhar, Lisboa, Diel, 1994, 713 p.

Pilar Urbano. O homem de Villa Tevere: os anos romanos de Josemaría Escrivá, São Paulo, Quadrante, 1996, 501 p.

Andrés Vázquez de Prada. Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei (3 vol.) Lisboa, Verbo, 2002/03