- Ele é um hotspot para Deus! –
saiu-se um dos meus sobrinhos num dos almoços de domingo acerca de uma pessoa
nossa conhecida, sem que tal expressão parecesse um insulto ou crítica.
– Ele é um quê?!
- Sim! Um hotspot! Não sabes um que é um hotspot, uma zona wi fi, um
router?
E tentou explicar-me, como se eu fosse muito infoexcluída:
- Nunca viste nos centros comerciais, nas universidades? Tu chegas lá e
está indicado “zona wi fi” ou “hotspot” de tal empresa e basicamente podes
ligar-te à net grátis com o teu computador, telemóvel, tablet, play station…. Essa tal pessoa é como um hotspot para Deus.
É. Parece incrível, mas de facto existem pessoas que nos ligam automática e
insensivelmente a Deus: o Papa, um pároco, uma avó, um/a catequista, um/a
amigo/a e talvez não precisamente por essa ordem. Não é que não tenham defeitos
ou sejam um modelo de virtudes ou passem a vida a pregar. Não. São pessoas em
quem nós reconhecemos que têm experiência de como é Deus e que desejam que
também nós O procuremos e encontremos. Instintivamente, sabemos que rezam por
nós e, se temos oportunidade, já estamos a contar-lhes a nossa vida toda.
São pessoas a quem recorremos para desabafar, tirar uma dúvida, pedir um
conselho, um favor, que reze por um assunto que nos preocupa ou nos ensine a
fazê-lo. É como se emitissem um sinal wi fi: um misto de interesse, carinho,
compreensão, de escuta, acolhimento, esperança que torna Deus acessível sem
necessidade de passwords. O sinal wi fi pode ser bom, fraco ou ruim, médio,
excelente, com ou sem intermitências, de acordo com a qualidade do hotspot..
Os santos estão assinalados como hotspots com sinal potente e contínuo.
Porquê? Porque estão ao rubro na arte de amar e são reconhecidos por isso.
Alguns deles universalmente e o seu raio de ação não está limitado pelo espaço
ou pelo tempo. Basta pensar no nosso António de Lisboa que viveu na Idade Média
e continua a influenciar a vida de pessoas de todos os continentes, tanto ou
mais que o seu amigo Francisco de Assis.
Mas para todos nós, está nas nossas mãos ser hotspots para Deus: basta
ligarmo-nos a esse “Fogo que arde sem se ver” de que falava Camões. Entrar na rede. Quem se encanta, fica encantador. E começa
logo a emitir esse sinal imitando aquilo que viu e ouviu.
No dia de Todos os Santos, lembremo-nos afinal de todos esses hotspots, uns
mais conhecidos outros menos, muitos da nossa própria família, alguns com um
nome igual ao nosso, outros que passam por nós todos os dias e que vão
estabelecendo esses oásis onde o Céu fica mais perto. Vale a pena saber onde
estão, reconhecê-los, aproveitar a acessibilidade que nos proporcionam e a sua
ajuda e exemplo para nos tornarmos também nós hotspots para Deus.