No próximo dia 2 de Outubro,
ocorre mais um aniversário desse dia em que S. Josemaria “viu” o Opus Dei, ou
seja, que Deus queria uma instituição na Igreja Católica que recordasse que
todos estamos chamados à santidade, no lugar, nas circunstâncias e no trabalho
que exercemos.
Para quem teve oportunidade de
ver o filme “Encontrarás Dragões” de Roland Joffé, esse dia está recriado numa cena
em que Josemaria, juntamente com pessoas de todas as profissões e condições -
novos, velhos, mais ou menos pobres, sãos, doentes, homens, mulheres,
enfermeiras, operários, engenheiros, …. - se debruçam para uma espécie de cave
onde podem contemplar a oficina de carpinteiro em que Jesus, o Filho de Deus, trabalha
afincadamente. Não creio que tenha sido exatamente assim, mas o significado é
esse: todos temos que aprender desse trabalho contínuo, árduo, monótono e
normal, bem feito, mas igual a tantos outros, que Jesus exerceu em Nazaré
durante a maior parte da Sua vida neste planeta.
Recordo bem a primeira vez que
entrei num centro do Opus Dei do Porto – tinha uns 14 anos? - e de me
perguntarem o que é que eu sabia sobre a Obra. Eu tinha lido vários livros e
revistas, julgava que estava bem informada, pelo que a resposta não se fez
esperar:
- Que ensina que todos podemos
ser santos!
- Sim. – replicaram-me – Mas
através do trabalho profissional.
Lembro-me que fiquei surpreendida
com o esclarecimento e perguntei a mim própria: “- Como é que se pode ser santo
sem trabalho profissional?” Naquele momento, aquilo pareceu-me uma redundância
e não conseguia lembrar-me de alguma situação ou pessoa que não trabalhasse.
Pois, olha, agora toca-me, como a
uma percentagem considerável de europeus, santificar o desemprego e isto dá
imenso trabalho… É que o trabalho não se mede pelo valor da remuneração, mas
pelo valor de quem o faz: pela perfeição, profissionalismo, pelo amor com que
desempenha cada tarefa. Por isso, que alta categoria podem chegar a ter as
tarefas domésticas, a receção de um cliente, o estar doente ou, paradoxalmente,
o estar desempregado/a!
E como se santifica então o
desemprego? Fácil, a resposta: procurando emprego ou tentando criá-lo, se
existe possibilidade. A realidade é bem mais árdua. É necessário recorrer a
meios naturais e sobrenaturais: cumprir as tarefas que o Centro de Emprego nos
impõe pontualmente, com tenacidade e apesar de nos parecerem perfeitamente
inúteis e humilhantes; fazer e mandar currículos variados, adaptados e
rebaixados e rezar para que alguém lhes dê atenção e precise dos nossos
serviços. Aumentar as nossas qualificações, descobrir competências, frequentar
essas ações de formação que talvez nos vão servir para alguma coisa. Não perder
o tempo na TV ou no café, manter-se ocupado, com um horário de levantar, deitar
e tarefas concretas que nos façam sentir e ser úteis e, se possível, nos rendam
alguns euros. E entretanto, tentar perceber que esta situação tem algum sentido
valioso, que Deus a permite para que nos apoiemos noutras referências que não o
dinheiro, o bem-estar, a consideração dos outros ou a nossa autoestima. Talvez Deus,
a Família ou os amigos a quem dedicamos tão pouco tempo e atenção.
Existem aqui imensas
potencialidades que é preciso não desaproveitar. Deus queira que, para todos os
que temos por trabalho o desemprego, este tempo seja o mais curto possível e se
transforme numa oportunidade de crescer por dentro.
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